segunda-feira, 2 de abril de 2018

DA SERIE PARADA DE ÔNIBUS

"O Brasil que eu quero"... Que não pichem as paradas de ônibus - disse dona Maria Teresinha.

segunda-feira, 26 de março de 2018

PORTO 246 ANOS ALEGRE?

"A memória de uma cidade 

é a soma das memórias de seus habitantes. 

São eles que carregam e transmitem não só o jeito,


  a cultura, 

os costumes,

  mas aquilo que de mais próximo 
pode-se chegar das pequenas coisas:

 história dos paralelepípedos, 


os cheiros de um bairro,
 a textura de cada praça.

Os habitantes de uma cidade
costumam registrar seus momentos


  com o recurso mais usual:

  a fotografia. 


 Quer saber como era Porto Alegre em 1950? 

Basta ver uma foto de Porto Alegre de 1950. 
(imagem da internet)
 Mas o que isso de fato diz da cidade?



Que impressões traz, que sentimentos?
  O que estava acontecendo nesse dia 
com aquelas pessoas,


 o que elas estavam vivendo?


 Então, eis que temos 
o registro da memória

 por meio da escrita.
O leitor precisa imaginar os cenários, a ação;

 todavia, é recompensado por relatos com cores,
  pessoas, movimento:
a cidade que pulsa nas avenidas

e na grama,
 os contornos, 




o sopro,



o ritmo.

 As pessoas que deram vida a Porto Alegre



nos mais variados tempos são aqui registradas
 – eternizadas –

 por quem esteve perto, 
 viu ou ouviu aquele dia, aquele fato.


 (...) como quem entra numa foto e pode ouvir, 


 tocar e fazer parte daquela memória,

 que é minha, sua, é de Porto Alegre.

Como se conhece uma cidade?

Será preciso percorrer quantas vezes aquela avenida,


até entender seus trechos, suas passagens, suas sutilezas?


Ou nunca se chega mesmo a entender uma cidade?



(...) também aqui se trata de tentar entender,




 descrever, 



reviver,
expor o jeito de ser da cidade, 



desta cidade aqui, Porto Alegre."


Texto

Luís Augusto Fischer
(http://www.dublinense.com.br)

Fotos

Laura Peixoto

sexta-feira, 2 de março de 2018

DA SÉRIE PARADA DE ÔNIBUS

  Parodiando o escritor uruguaio, Eduardo Galeano: Nas veias abertas de Roca Sales...

“Quando as palavras não são tão dignas 
quanto o silêncio, 
é melhor calar e esperar.”

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

PEDRA D'MIM............. PEDRA D'NÓS!

 Domingo voltei a Tamanduá, interior de Marques de Souza, Rio Grande do Sul, para apresentar as belezas do Centro Ecológico Pedra d'Mim, de Marta Verena Lucian, a Anna Carolina, Carol e Vico.

Fragmentos dos versos 
da poeta Maria Carpi 
para iluminar nossa trilha:

 


A Semente e a Palavra
                     Maria Carpi

"Em algum lugar tu escreves
E a árvore emerge.
Em algum lugar
Tu cantas
E a árvore singra.
Em algum lugar,
O semeado escuta a semente
A árvore pousa."

 Plantar ou deixar-se plantar
 Maria Carpi

"O que planto, vejo e reclino,
o que sou plantada me vê

e apura. O que planto,
disperso e colho. O que sou,
plantada, me reúne e cura."


Plantar ou deixar-se plantar
  Maria Carpi

"Tudo o que planto
É metade de tudo
O que sou plantada."

"O que planto é semente
Comum, em tempo comum
De acordo com o zênite"


"O que planto é um
Por um, o que sou
Plantada é sem conta."


"Às vezes, estas raízes
Longas, amarradas umas
Às outras, em rochedo,
Quando me abeiro do ar,"


"... o que planto,
Disperso e colho. O que sou,

Plantada, me reúne e cura."




A Voz e as Vozes
 Maria Carpi

"As vozes não são a Voz.
As vozes, sem a brandura da Voz,
são turbulência na água,
são tremores na terra,
são desvarios do vento."
"Deixa-as, passantes,
em seu fulguramento."


"Dentro da cava do desejo,
serás fortalecido de silêncio,
como grãos, sem celeridade."



"Pelo alimento distinguirás
a Voz das vozes: as vozes
se as ouves, te sorvem.
As vozes são ávidas do que vestes,"

"do que sonhas, por onde pisas.
Não toleram a presença da árvore:
apenas lhe arrancam o produto.
As vozes, se as ouves, não ouvem"
"o suor, a lágrima, a resina.
As vozes, se as ouves, não ouvem
o murmurio fundo de um rio
que se levanta entre as brenhas...

só as ouves, desejante, bebendo-a."


A Luz e a Pedra
    Maria Carpi

"Andar em luz
Não me faz levitar
Acima das coisas."



"São as próprias coisas
que convergem
e levitam. São os 
caminhos que se alçam."



"Estando em luz,
Eu persigo as coisas
Onde estão, no alto."

"Às vezes, estas raízes
longas, amarradas umas
às outras, em rochedo,
quando me abeiro do ar,"


(...)
"de água, a pedra e a relva
do corpo, a pedra do brilho
dos olhos. A pedra e tudo
acumulado em mais dureza."

 "A pedra e tudo evaporado
na retina. A paixão da pedra
e minha lenta paixão madura."

"A passagem do corpo pela pedra.



 ... e a Pedra elevado ao espírito."


O ovo e o ninho
 Maria Carpi

"Pois uma ave sabe
que outra ave para
vir, tem de encontrar
nos ares um refugio

(...)

No alto da arvore, no cimo
do útero, no casulo do sol,

(...)

O ninho, mínimo, areja as ramas
do acaso. Não é a árvore
que contém o ninho, empoleirado.
é o ninho que cerca a árvore."

" A Árvore me provou e disse:

Ainda não estás madura.
Ainda não te nasceram os olhos."

"Essa água
Que sempre corre,
Em mim se demora"
 (...)
"Essa água sempre clara,
É a sombra onde minha
 luz descansa."
"A luz entrante
não é a mesma luz da que sobe
A luz em repouso não é
a mesma da que se abre."

A luz tem  várias pessoas.

 "Precisamos nos abastecer também
na dor e no  sofrimento, para
tecer o linho do encontro..."



Do amor e da Água
 Maria Carpi

"Se houver um sol
Intenso arrodeado
De sol, é porque
Estou, em Amor
Imersa. Se houver
Silêncio e somente
silêncio de sol e
da água silenciados,
é porque – Amor e eu –

somos boca a boca."