CIBERCOLONIA
sexta-feira, 4 de maio de 2012
ARVOREZINHA
Posso estar enganada. Mas, nas minhas andanças vi essa charmosa parada de ônibus, estilo italiano, até com lambrequim!, na RS 332, próximo a Arvorezinha. Parabéns a quem se sensibilizou ao aliar o útil com o bonito, o turismo com o dia-a-dia.
domingo, 20 de novembro de 2011
PASSADO & PRESENTE
O pai de minha mãe era um alemão alto, de rosto vermelho e olhos azuis. Foi dentista prático. Até eu descobrir o que significava exatamente “aquilo” levou tempo. Na época a gente podia entrar no seu consultório, no seu minúsculo laboratório e mexer nos dentes, no gesso e na cera vermelha do molde das “chapas”, subir e descer na cadeira-elevador, brincar com a mangueirinha de água na boca feito chuveiro no rosto dos primos. “Podia” é maneira de dizer. Ele saía por uma porta e a gente se esgueirava por outra. Meu avô foi um pratico até os anos 60 em Vera Cruz. Não só arrancava dentes como obturava e fazia dentaduras. Até hoje guardo a imagem de meu primo Gustavo, com a boca aberta, sangue jorrando e o vô Henrique exibindo o dente com uma baita raiz. Filme de terror. A gente morria de medo de que um dia pudesse acontecer o mesmo. Por sorte, fomos todos encaminhados ao dr. Trentini.
Já o pai do meu pai também era alemão por parte de mãe, por isso também olhos azuis. Era boticário e me ensinou a jogar Mexe-mexe, espécie de palavras cruzadas de tabuleiro e pecinhas de madeira. Vô João não permitia que ninguém proferisse palavrão dentro de sua casa, em Cruz Alta. Mas, podíamos expressar no jogo. O máximo que conseguíamos escrever era “cocô” e “merda” – de tanto medo de uma carraspana. Gosto de jogar Mexe-mexe até hoje, mas não tenho companhia e aposto que você nem sabe o que é “carraspana”.
Às vezes me pego pensando nos meus avôs. Você não?
Muita alegria por ter convivido com os dois.
Também, às vezes acredito que avôs não existirão mais nesses tempos de internet.
Porque não haverá mais netos. Ninguém terá tempo para essa espécie humana.
Tampouco para fazer filhos. Por conseguinte...
E porque avôs de hoje estão muito ocupados em ganhar dinheiro, casar de novo, viajar para o nordeste ou exterior, casar de novo – sim, vivem tanto que casam, no mínimo, duas vezes. Eles pintam os cabelos e os bigodes, quando tem. Fazem musculação, jogam basquete e futebol até os 70. E bebem vinho. E usam roupas de marca. Dirigem carros bacanas. Pelo menos os avôs que tenho observado por aí.
Não tenho nada contra, juro.
Mas é que tenho uma saudade dos avôs de antigamente, gordinhos e enrugados, de óculos dependurado no peito. Que usavam boné xadrez, camiseta por baixo da camisa, que sabiam o que fazer com um graveto e um canivete na mão. Zeus-que-me-perdoe! E lá íamos nós com nossas fundas, ou estilingues ou bodoques, caçar passarinho e espantar gato em cima de telhado. E sem nenhuma vergonha na alma porque sequer imaginávamos a maldade. Bom, daí um certo exagero meu. Até hoje me cobram uma cara de sonsa e uma gaiola aberta e um periquito em liberdade.
A gente deveria encarar a morte com naturalidade. Dizem que os espíritas sofrem menos com as perdas. Eu não digo nada. Tudo sempre será um grande mistério.
Mas, os avôs sabem. Avô sempre sabe de tudo.
* Minha crônica nos jornais A Hora dos Vales, Lajeado e no Opinião, de Encantado.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
CARPINEJAR
interior de Travesseiro por laura peixoto
“...ambiciono uma casa na praia
para reaver a rotina simples e bucólica
do interior do Estado,...
do interior do Estado,...
(globosfera)
... é meu modo de voltar a ser menino
e não me preocupar com paranoia,
travas, fechaduras,
travas, fechaduras,
alarmes e cerca eletrônica."
interior de Muçum por laura peixoto
“É minha saudade do quintal,
das roupas dormindo no varal,
das roupas dormindo no varal,
do mosquiteiro e das janelas abertas.
picada vinagre? interior de Travesseiro por laura peixoto
"É minha saudade da facilidade de fazer amigos, do chimarrão na varanda e de brigar sobre política com os vizinhos. É minha saudade de cumprimentar qualquer um que passa pela rua – qualquer um! – sem a necessidade de conhecer. É minha saudade de jogar cartas e rir novamente de piadas antigas. É minha saudade de preparar bolo de surpresa, de cultivar horta, de comprar veneno para formigas."
rodoviária de Muçum por laura peixoto
"É minha saudade de ser educado e pontual,
do artesanato da vida, da carpintaria dos minutos.”
Crônica de terça-feira, 7/11, na ZH.
terça-feira, 12 de julho de 2011
quarta-feira, 29 de junho de 2011
DR. RICARDO
Gruta de Nossa Senhora de Lourdes em Dr. Ricardo, no Vale do Taquari:
já fui três vezes. Nunca no inverno, claro.
Siga pela RS 332, com entrada no trevo de Encantado em direção à Ilópolis. Vale uma paradinha. O lugar é bonito. É tranqüilo. Talvez dê para fazer um rapel. Não sei.
O nome da cidade se deve a Ernesto Ricardo Heinzelmann, já um médico reconhecido em 1882. Mas o batismo mesmo aconteceu em 1959, quando não passava de uma picada ora de Encantado, ora de Anta Gorda. Acho.
De origem italiana, foram chegando os primeiros imigrantes por volta de 1910 das bandas de Bento Gonçalves, Garibaldi, Veranópolis e Caxias do Sul. Quem nasce em Dr. Ricardo é ricardense e pelo último censo, são 2.030 ricardenses.
A população diminui... Fecham uma escola aqui, outra ali, e pronto, o povo vai embora. Não sei se é o caso na região. Creio que as pessoas vão embora para encontrar outras vocações e afinidades. E voltam para ser enterradas.
Em fevereiro os gringos comemoram a "Festa de Nossa Senhora de Lourdes". Em dezembro, a encenação natalina "Auto de Natal na Gruta".
terça-feira, 14 de junho de 2011
CONVENTOS VERMELHO X ROCA SALES
Conventos vermelhos.... Dos anos 1881.
Assim se chamava Roca Sales.
Mais bonito, muito mais bonito. Onde será que foi parar esses conventos que pertenciam a Estrela? Dizem que esse nome foi dado pelos marinheiros que subiam e desciam o rio Taquari. À graça de que?
Leio no site da prefa - http://www.rocasales-rs.com.br - que a mudança do nome se originou por dois importantes fatos internacionais: a visita em 1899 do Presidente da Argentina, Júlio Roca, ao Brasil e depois a retribuição do compadre Campos Sales, então Presidente do Brasil, já no ano seguinte. Cada coisa que inventam. Vai ver que nem existia convento coisa nenhuma.
Em dezembro de 1954, o governador Ernesto Dornelles cortou o cordão umbilical que unia Roca a sua mãe estrelada e em fevereiro de 1955 se fez cidade e não mais distrito. E seu Irineo Danúncio Rota assumiu como primeiro prefeito. O atual é Antonio Valesan, do ptb, partido que tem a chave de 31 cidades no Rio Grande do Sul. Ahã. Eu sou do tempo que se pegava balsa e ia pular carnaval em Roca. Não sei quando, nos anos 80, cortaram o barato da balsa. Uma pena.
Hoje Roca Sales tem 10.287 habitantes, de acordo com o censo do ano passado.
No site da prefa ta errado. É preciso corrigir.
Eu adoro bisbilhotar por lá.
Gosto dos casarios antigos...
... e outros com jeito de mal assombrados.
Quem mora em Roca é rocassalense.
Ainda tem uma estaçãozinha de trem.
E tem o bistrô do João Manoel!
Graças a Zeus, que um dia descolei um convite para passear de trem com a Fabiana Caneppele e um monte de primeiras-damas.
Foi o roteiro mais bacana que já fiz na região, desde que me conheço por gente.
Fico besta como as prefeituras do Vale do Taquari não se uniram e por isso não conseguiram botar para sempre o trem nos trilhos. Que baita Turismo.
Fico besta mesmo.
É muita falta de visão de alguns.
Muita mesmo.
sábado, 11 de junho de 2011
SANTA CLARA POR AÍ...
Tempos atrás, mornos dias, passei por Santa Clara.
Antigamente, fazenda Santa Clara, por causa da filha do Fialho de Vargas, que era dono de todas as terras lajeadas, à beira do rio Taquari. No tempo da colonização destas bandas centrais acabou como 2º distrito de Lajeado.
Acho que Santa Clara foi terra de água benta: em 1899, a colônia foi sede do 2º Congresso Geral de Católicos do Rio Grande do Sul. Imagina! Já naquele ano!
E pelo visto a alemoada era faca na bota! Dizem que no tempo da Revolução Federalista, os colonos santa-clarenses lutaram contra o bando maragato de Zeca Ferreira e botaram os macanudos pra correr.
Na mesma época fundaram a Sociedade Alemã de Atiradores de Santa Clara pra impor respeito, certamente. Mais tarde, fundaram o Tiro de Guerra 239.
Hoje não existe mais nada e o povo só quer saber de gandaia. Não é à toa que o carnaval de Santa Clara é famoso na região.
Em março de 1992 virou cidade.
Antes eu só sabia que Santa Clara era terra das bolachas e da modelo Shirley Mallmann. Descobri mais bisbilhotando no site da prefa, aliás, hoje nas rédeas de Paulo Cezar Kohlrausch, do pmdb.
Nas minhas andanças, gosto mesmo é de fotografar as casas antigas que dão charme as cidadezinhas.
Santa Clara tem poucas. Mas, os seus quase seis mil habitantes tem um Museu e Biblioteca ocupando um prédio construído em 1888, que foi escola, hotel, delegacia e sub-prefeitura, bem, no centrinho.
Esse ano começou mal para a cidade.
Em abril choveu tanto, que o mundo transbordou em apenas cinco horas e o prefeito acabou decretando situação de emergência.
Agora, tempo atrás, arrombaram a prefa.
Putz, só benzendo mesmo.
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